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Os novos desafios do turismo

“Novo normal” exige mudanças estratégicas para reconquistar a confiança dos consumidores

Por Cris Rosa

Os desafios para a indústria do turismo em tempos de Covid-19 são muitos. Como promover uma experiência segura e reativar um dos setores mais importantes para a economia dos países enquanto ainda não se tem uma vacina? Especialistas apontam que algumas mudanças estratégicas podem ajudar a retomada das viagens e a confiança dos turistas em meio ao “novo normal” e que será preciso desenvolver um novo modo de turismo para um novo consumidor.

Se antes estávamos acostumados a ver pontos turísticos lotados, praias, festivais musicais, gastronômicos repletos de pessoas indo e vindo a todo momento, precisaremos nos acostumar a ter essas imagens apenas na memória enquanto a crise de saúde não chega ao fim. Vivendo o pior momento e amargando prejuízos milionários, o mercado de turismo foi um dos mais afetados pela pandemia e precisou repensar os velhos hábitos, em um cenário que não é dos mais animadores. Segundo a uma pesquisa recente feita pelo buscador de voos Viajala, apenas 26% dos brasileiros afirmou que pretende voltar a viajar assim que a quarentena acabar.

Em uma estimativa otimista, a tendência é que o mercado volte a aquecer em dois anos. Até lá, profissionais do setor buscam alternativas para sustentar os negócios e conquistar a confiança dos consumidores. A diretora dos hotéis Royal, Isabel Tuñas, destaca que Macaé foi uma das poucas cidades onde a rede hoteleira continuou a operar, o que a coloca em vantagem competitiva no momento da retomada.

“A hotelaria nacional foi fortemente abalada pela pandemia, e os escassos auxílios governamentais contribuíram para que hoje centenas de pousadas e hotéis já tenham decretado falência. Macaé foi uma das poucas cidades do país onde os hotéis continuaram operando, ainda que com forte queda na ocupação, como suporte logístico para a operação de óleo e gás. Isso faz com que a cidade tenha uma vantagem competitiva para o momento de retomada, pois os hóspedes se sentem mais seguros, seja pelos elevados padrões de segurança já existentes, seja pelo fato de que as chances de o hotel não se sustentar financeiramente e não poder honrar com a hospedagem se torna muito menor”, acredita.

Os preparativos para a retomada das viagens e passeios também vêm com suporte ao setor. Na região, o Macaé Convention & Visitors Bureau tem prestado suporte aos empresários locais com a divulgação de marcas, produtos e serviços, além de estar em processo de implantação do selo de Turismo Responsável e de Turismo Consciente-RJ.

“O selo representa um movimento importante para a retomada da atividade turística no Brasil, uma vez que há o entendimento por parte dos destinos turísticos e do próprio setor de viagens que haverá uma demanda do turista por empreendimentos e atrativos que adotem medidas de proteção e segurança do ponto de vista sanitário. A medida contribui para promover o Brasil como destino seguro e incentiva a retomada da atividade turística e a atração de turistas nacionais e internacionais. O selo é opcional, mas acreditamos que ele poderá ser um importante diferencial para atender o novo perfil de turista que surgirá no pós pandemia, mais atento à questão sanitária e mais exigente em relação a higiene e outros cuidados”, destaca o presidente do Macaé C&VB, Guilherme Abreu.

O novo comportamento do turista exigirá também um olhar diferenciado do setor. Para Isabel Tuñas, com o avanço da flexibilização a tendência é que as pessoas voltem a viajar. “O pós pandemia promete um turista ávido por viagens, pra começar, pelo simples desejo de viajar após tanto tempo confinado em casa, e também pelo fato de que não faltarão incentivos. Haverá uma mobilização global e promoções de todas as formas como estratégias adotadas pelas empresas para a retomada”, avalia. A aposta é para viagens mais simples, curtas, em destinos mais próximos e que possam ser feitas de carro, na companhia da família ou em pequenos grupos. “O medo de percorrer longas distâncias, e a grande desvalorização cambial farão as pessoas viajarem dentro do Brasil, prioritariamente para locais em um raio de até 500 quilômetros de suas residências”, completa a diretora dos hotéis Royal. Oportunidade para o desenvolvimento do turismo regional, em que cidades como Macaé despontam na oferta de atividades de lazer, entretenimento e gastronomia, além da natureza exuberante das praias e região serrana.

“Sem dúvida, a sociedade vai redescobrir a importância ambiental e o valor estratégico da manutenção da paisagem rural (interior), e passa a tratar praias, lagoas, rios, fauna e flora como elementos essenciais para o ser humano no pós pandemia. Este contexto tem propiciado a revalorização do modo de vida e o surgimento de novas funções econômicas, sociais e ambientais para o turismo de proximidade e o turismo rural. Acreditamos que crescerá muito o turismo regional e aqueles que num raio de até 600 km propiciem as famílias a viajar, seja o turismo rodoviário ou em voos de curta duração. A busca de destinos como Macaé será de grande importância, nossa cidade oferece uma excelente região serrana com muitas cachoeiras e praias com uma gastronomia de excelência e hotelaria com todo o conforto para uma boa noite de sono”, finaliza o presidente do Macaé C&VB.

Foto: João Barreto / Arquivo Secom

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